Quem é Marco Rubio, que anunciou restrição que pode afetar Moraes | Política | Valor Econômico


This article profiles Marco Rubio, the US Secretary of State, focusing on his recent announcements of potential sanctions against Brazilian Supreme Court Justice Alexandre de Moraes and visa restrictions for those censoring US citizens.
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Marco Rubio se tornou um nome importante no Brasil nas últimas semanas. O ex-senador americano, que hoje ocupa o cargo de Secretário de Estado nos Estados Unidos, ganhou o noticiário após anunciar que havia grandes chances de seu país sancionar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes com a Lei Global Magnitsky.

Já nesta quarta-feira (28), Rubio voltou a ser destaque após anunciar restrições de visto para autoridades internacionais que censurassem cidadãos americanos. Sem citar diretamente o nome de Moraes, o comunicado diz que o país vai barrar a entrada dessas personalidades, “sejam elas da América Latina, Europa ou qualquer outro lugar”.

Marco Rubio, nascido em 1971, entrou jovem na política. Com apenas 29 anos, foi eleito pelo Partido Republicano para a Câmara dos Representantes no estado da Flórida e aos poucos cresceu dentro da política dos Estados Unidos. Entre 2000 e 2008, ocupou o cargo na Câmara representando a cidade de Miami.

Após uma breve carreira acadêmica, quando lecionou na Universidade Internacional da Flórida, retornou à política em 2011. Naquele ano, foi empossado como senador pelo estado, cargo que ocupou até 2024.

Em 2016, ele foi um dos pré-candidatos à corrida presidencial pelo Partido Republicano, concorrendo com Donald Trump pela oportunidade de disputar o principal cargo do executivo no país. Contudo, Rubio desistiu da corrida após ser derrotado no estado da Flórida. Após se retirar, passou a apoiar Trump como candidato republicano.

Em 2025, com o segundo mandato de Trump, passou a integrar o poder executivo e acumular cargos. Como secretário de Estado dos EUA, ele é o chefe da diplomacia do país e responsável pela política internacional. Além disso, é Arquivista dos Estados Unidos, Administrador da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e, desde maio, é Conselheiro de Segurança Nacional.

Rubio tem interesse especial na América Latina

Desde o primeiro mandato de Donald Trump, Marco Rubio se mostrava interessado na América Latina. Mesmo sem um cargo oficial no governo, o então senador pelo estado da Flórida já era referência para os assuntos ligados à região.

Na época, Rubio chegou a ser chamado de “secretário-virtual de Estado para a América Latina”, um título que não existe, mas simbolizava a influência do congressista na política externa do primeiro mandato de Trump.

Rubio, filho de imigrantes de Cuba, já era especialmente crítico dos regimes cubanos e venezuelanos. Suas posições mais agressivas contra países adversários dos Estados Unidos na América Latina o tornaram popular com a população exilada desses países e descendentes no estado da Flórida.

Suas posições em relação ao tema da imigração mudaram ao longo dos anos, no entanto. Durante o primeiro mandato de Trump, ele manifestou apoio a uma política de anistia e regularização de imigrantes não-documentados no país.

Para ele, imigrantes que se apresentassem ao governo, pagassem uma multa por quebrar a lei e cumprissem requisitos como aprender inglês e passar em uma verificação de antecedentes poderiam receber uma autorização de trabalho no país. Após 10 anos trabalhando no país, poderiam dar entrada no processo para obter o “green card”, como é conhecido o visto permanente de residência nos Estados Unidos.

Com o segundo mandato de Trump, Rubio adotou posição mais rígida em relação a imigrantes no país. Com seu novo papel de secretário de Estado, agora um título formal, tem sido um dos nomes fortes da política de deportações que são uma das marcas do governo.

Troca de sanções entre Rubio e China

A Lei Global Magnitsky não é uma novidade para Rubio. O secretário, quando ainda era senador, em 2018, advogou a favor da utilização da legislação para sancionar quatro autoridades chinesas e uma organização governamental. Com isso, elas ficaram proibidas de entrar nos EUA, tiveram seus bens no país congelados e foram proibidas de fazer negócios com americanos.

Na ocasião, a China era acusada de abusos contra uma minoria muçulmana na região de Xingjiang. O governo foi condenado por deter uigures em um campo, onde essas pessoas teriam sido torturadas, forçadas a trabalhar e abusadas sexualmente.

Após a confirmação da sanção, o governo chinês decidiu retaliar com sanções a Rubio e outros políticos republicados, incluindo Ted Cruz, Samuel Brownback e Chris Smith. Também foi anunciada sanção contra a Comissão Executiva do Congresso sobre a China, agência independente dos EUA que monitoram direitos humanos no país asiático.

A punição teve caráter principalmente simbólico, já que Rubio e os demais atingidos não mantinham negócios com a China.

Marco Rubio tem ligação antiga com Eduardo Bolsonaro

Rubio é um apoiador dos governos conservadores eleitos na América Latina na última década. Um exemplo recente aconteceu após a eleição de Javier Milei, na Argentina, quando o então senador afirmou que os Estados Unidos deveriam apoiá-lo. Ele também publicou artigo em 2019 convocando apoio americano ao Brasil após a eleição de Jair Bolsonaro.

Por conta de sua visão alinhada com a extrema-direita brasileira, a aproximação com Rubio foi uma das prioridades do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro em sua estadia nos Estados Unidos.

A relação já vem de longa data. Desde 2018, Eduardo vem buscando colecionar contatos com políticos alinhados às suas ideias no exterior, e Rubio foi um nome importante, em especial pela sua proximidade com temas latino-americanos.

Após a eleição de Jair Bolsonaro, ainda em 2018, Eduardo viajou aos Estados Unidos ao lado de Filipe Martins, que se tornaria assessor de Assuntos Internacionais do governo. Marco Rubio foi um dos primeiros políticos americanos a recebê-los.

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